Do eterno pão e circo, por Petrônio Souza Gonçalves (*)
É na miséria política, moral e ideológica do Brasil, que o Governo Federal lança programas, vai para rua, distribui pães no circo armado de nossa pobre vida diária. Transformaram o país em um imenso curral eleitoral. Quando mais pobre o povo, mais pão e voto, mais circo e espetáculo. As estratégias são sempre as mesmas, apenas mudaram o figurino, deram uma boa atualizada, uma boa maquiada.
Na ausência de políticas verdadeiras, inventam fatos, folguedos, para tudo ficar como sempre esteve, apenas assegurando a comida no prato; um melhor bocado. Depois disso, apenas a cesta, o descanso dos justos condenados. É o Brasil de antanho alimentado, o Brasil real adormecido; com a barriga cheia.
Chega de crer e alimentar esse país alquebrado, dividido, repartido, tendo um rio intransponível entre a parcela mais rica da sociedade e a mais pobre. É uma divisão infinita em condições e oportunidades.
No entanto, o Brasil de barriga cheia, domesticado e aliciado, fica calado, enquanto alguns poucos vendem projetos contabilizando futuras comissões dos que estão pré-marcados para distribuir alimentos, cartões, e outras coisinhas mais... É a pobreza redentora, que faz a multiplicação em 20 vezes ou mais, dos que distribuem pães, enquanto suas vidas são um circo armado de alegrias, frustrações e pecados.
Esse é o Brasil real, o Brasil arrendado por governos que fizeram da pobreza, da miséria, sua profissão de fé, assegurando eleições e cargos, comissões e doações, indicações e conchavos. Tudo, com os mais populistas discursos, com os mais animados comícios.
Não pensam em governar uma nação, mostrar um caminho, prover o desenvolvimento e progresso do país. Mas sim, administrar poderes, arranjar cargos, restringir o crescimento e desenvolvimento do povo para continuar mandando, dando as cartas, dominando a nação de pobres alienados, inocentemente servis. Alugar o parvo é mais barato, diante da limitada visão e mentalidade dos nossos equivocados governantes. São uns atrasados...
Assim, vai ficando o Brasil com a cara deles, com o jeito deles, um país do vale tudo, dos espertos, dos larápios. Um país sem amor próprio, preocupado mais com o quanto que vai ganhar do que o tanto que irá ser. Eles escolheram enriquecer. Nós, apenas, o dever de sobreviver.
(*) Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor.
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