Após denúncia, Polícia Civil investiga descarte de montanha de lixo veterinário
Denúncia chegou ao Campo Grande News ontem e, hoje, perícia da Polícia Civil foi até local investigar caso
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Antibióticos, remédios para inseminação de suínos e mais de 10 mil pipetas (instrumento de medição) usados fazem parte da montanha de lixo descartada no Jardim Uirapuru. A denúncia encaminhada ontem ao Campo Grande News está sendo investigada pela Polícia Civil, que foi até o local para perícia e apuração.
O material foi descartado no cruzamento das ruas Engenheiro Paulo Frontin e Cunha Mato. O delegado Maércio Barbosa, titular da Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) foi até o local esta manhã para ouvir possíveis testemunhas e recolher material que o auxiliem na investigação.
“Não sabemos quem é o responsável, pode ter sido empresa terceirizada, vamos usar o caminho reverso para tentar chegar a eles”, disse o delegado. No meio do lixo, os peritos encontraram notas fiscais, anotações com nomes de pessoas que podem ter comprado o material e descartado ou mandado descartar os produtos.
Na montanha de lixo, várias embalagens e vidros de antibióticos, o diluente optim-a.i (usado na inseminação de porcos) e as milhares de pipetas, instrumento de mediação e transferência de líquidos.
Segundo o delegado, com base no depoimento dos vizinhos, o descarte deve ter ocorrido há dois dias, no período da noite. O local, ermo, cercado de terrenos baldios e sem iluminação, foi o ambiente perfeito para o descarte do lixo.
A reportagem conversou com alguns deles que, com medo e lembrança de ameaças já
sofridas, não quiseram se identificar.
Uma delas é mulher de 23 anos, que mora em frente ao terreno usado como depósito irregular de lixo. Ela acredita que o descarte tenha ocorrido na noite de quarta-feira, uma das mais frias do ano e que a família estava recolhida em casa. “Não vimos jogando, na quinta, quando acordamos, já vimos o pessoal da reciclagem naquele lixo”, lembra.
Moradora do Jardim Uirapuru há dois anos, diz que é comum que a rua Cunha Matos seja usada como descarte de lixo. “Às vezes eles jogam na rua inteira e não dá nem para passar”.
Outra moradora, copeira de 56 anos, também mora há 2 anos no local e confirma o relato da vizinha. “Sempre foi assim, todo dia tem alguém jogando lixo; pessoal vêm, faz limpeza, mas não para limpo”, lamentou.
Segundo ela, é recorrente presenciar “caminhões e caminhões” jogando lixo. Ela conta que já tentou conversar com os motoristas, mas foi ameaçada. “Uma vez eu falei com rapaz, ele respondeu ‘eu sei onde você mora, vou te pegar’”.
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A moradora acredita que a solução é que os donos dos terrenos limpem, cerquem e até coloquem câmeras de segurança para ver se ajuda a identificar e multas os responsáveis.
O mecânico Wagner Aniceto Soares, 39 anos, também pede fiscalização noturna mais rigorosa, para ver se soluciona o problema. Diz que as limpeza regular não é o suficiente para coibir as ações. “Pessoal joga lixo frequentemente, de dia ou de noite; não tem 15 dias que a prefeitura veio e deixou limpo”.
Soares conta que eles agem principalmente de madrugada. “Chegam de caminhão, carro, carroça, em tudo que é veículo e jogam lixo aqui”. Lembra que também tentou falar com uma das pessoas para que não fizesse isso. “ O cara falou que não tinha problema e, que se eu achasse que tinha problema, era para eu resolver. A gente reclama e ainda é ameaçado”, lastimou.
O delegado Maércio Barbosa disse que, inicialmente, o inquérito foi aberto como descarte irregular de resíduos, previsto na Lei de Crimes Ambientais, com pena de um a quatro anos.