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Capital

Entidade denuncia vizinho que está expondo crianças autistas que "gritam"

O homem filmou a crise de um paciente e compartilhou o vídeo em uma página do Instagram

Por Geniffer Valeriano | 26/02/2025 18:35
Entidade denuncia vizinho que está expondo crianças autistas que "gritam"
Captura de tela mostra imagem da publicação feita pelo vizinho nas redes sociais. (Foto: Direto das Ruas)

Incomodado com os sons vindos de uma clínica para crianças autistas, vizinho filmou a crise de um paciente e compartilhou o vídeo em uma página do Instagram. No registro, o homem chegou a sugerir que a criança estava sofrendo maus tratos, afirmando: “Agora, o porquê de a criança gritar tanto, eu não sei”. Para preservar o paciente e sua família, o Campo Grande News optou por não divulgar o vídeo.

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Um vizinho de uma clínica para crianças autistas em Campo Grande (MS) gerou polêmica ao filmar e compartilhar nas redes sociais a crise de um paciente, insinuando possíveis agressões. Segundo Fabiana Alencar, proprietária da clínica, o mesmo homem já havia reclamado dos sons há três meses e rejeitou explicações profissionais sobre o comportamento das crianças autistas. A clínica, que funciona em horário comercial até as 18h, registrou boletim de ocorrência pela invasão de privacidade do paciente. A empresária explicou que o episódio gravado ocorreu durante a chegada de uma criança à clínica, momento em que ela estava na varanda, sem isolamento acústico, comparando a situação ao processo de adaptação escolar.

À reportagem, uma das proprietárias da clínica, Fabiana Alencar, de 47 anos, contou que, há cerca de três meses, o mesmo homem a procurou para reclamar dos sons que vinham da entidade. Na ocasião, a reunião com o vizinho foi acompanhada por uma psicóloga da instituição.

“Explicamos que trabalhamos com crianças autistas e que esses sons fazem parte dos comportamentos disruptivos, sendo justamente por isso que elas buscam a terapia para aprender a lidar com essas situações”, esclareceu Fabiana.

Com o objetivo de fornecer uma explicação mais ampla, a clínica se ofereceu para que a psicóloga conversasse com a família do vizinho. No entanto, Fabiana relata que o homem recusou a proposta, dizendo que “não queria ninguém da laia da clínica em contato com sua família”. Após esse episódio, segundo a empresária, ele passou a hostilizar os pais dos pacientes que estacionavam próximo à sua casa.

Apesar do clima difícil, Fabiana acreditava que apenas teria que lidar com as implicâncias do vizinho. No entanto, na manhã desta quarta-feira (26), foi surpreendida ao se deparar com um vídeo publicado em uma página do Instagram, gerando grande repercussão em Campo Grande.

A publicação provocou revolta nos funcionários da clínica e nos pais dos pacientes. Diante da situação, Fabiana explicou que sua sócia foi até a delegacia nesta tarde para registrar um boletim de ocorrência. “Infelizmente, ele tem o direito de se incomodar, e nós temos o direito de atuar. [...] Nos sentimos extremamente ofendidos, e a criança teve sua privacidade invadida”, lamentou.

A empresária também esclareceu que, no momento em que o vídeo foi gravado, o paciente estava chegando à clínica. Por estar na varanda da instituição, os gritos soaram mais altos. “Às vezes, demora um pouco para o terapeuta conseguir convidá-lo [o paciente] para iniciar a terapia. Então, nesse momento, claramente, ele estava na varanda, sem possibilidade de isolamento acústico. Se estivesse dentro da sala, muito provavelmente, o vizinho não teria se incomodado”, explicou.

Fabiana comparou a chegada dos pacientes à clínica com o processo de adaptação escolar, destacando que até mesmo crianças neurotípicas podem apresentar desregulação emocional nessas circunstâncias.

“Era horário comercial. Até mesmo em condomínios existem regras que permitem certos níveis de ruído durante determinados períodos. A clínica encerra os atendimentos às 18h e não funciona aos sábados. Então, o horário dele é totalmente respeitado. Além disso, acredito que, se nossa atividade realmente causasse perturbação à vizinhança, não teríamos obtido o alvará de funcionamento”, finalizou.

A reportagem teve conhecimento da identidade do homem e nem mesmo teve acesso a um contato. Por isso, o vizinho não foi ouvido. Porém, o espaço segue aberto através do Direto das Ruas, pelo telefone (67) 99669-9563.

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