Mensagens sobre “agilizar medições” indicam favorecimento em tapa-buracos
Gecoc aponta indícios de prioridade à empresa investigada, pressão por fechamento de valores e falhas
Mensagens de WhatsApp anexadas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) na investigação da Operação Buraco Sem Fim mostram cobranças por fechamento de medições, aumento de valores em planilhas e pressão para agilizar pagamentos ligados a contratos da Construtora Rial com a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de Campo Grande.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Mensagens atribuídas a servidores da Sisep são citadas pelo Gecoc para reforçar suposto esquema de fraude em contratos de tapa-buraco da Prefeitura de Campo Grande. Os diálogos aparecem em documento do MPMS usado na Operação Buraco Sem Fim e apontam manipulação de medições para beneficiar a Construtora Rial Ltda. Os contratos investigados somam R$ 113,7 milhões entre 2022 e 2025.
Os diálogos reproduzidos no relatório fazem parte do pedido de prisão e das medidas cautelares autorizadas pela Justiça. Segundo o MPMS, as conversas indicam atuação coordenada entre servidores e pessoas ligadas às empresas investigadas para acelerar medições e liberar pagamentos.
- Leia Também
- Contrato na Região do Segredo é “estrela” de operação após crescer 451%
- Em 3 meses, ex-secretário "liberou" R$ 15 milhões para empresa sob suspeita
Uma das mensagens citadas pela investigação foi enviada por Mehdi Talayeh em 24 de janeiro de 2023. Na conversa, direcionada a um grupo de trabalho responsável pelas medições da Construtora Rial, ele afirma:
“Boa tarde / Precisaremos fechar hoje as medições e passar pro Rômulo pedir nota / Amanhã data limite para descer / Comece pela Rial”.
Para os investigadores, a mensagem demonstra pressão interna para concluir medições e liberar documentos fiscais relacionados à empresa.
Em outro trecho, também atribuído a Mehdi Talayeh e enviado em fevereiro de 2023, ele questiona valores lançados nas planilhas da Rial:
“RIAL janeiro dará mais ou menos 500 tudo é isso? / Vamos agilizar as medições de janeiro”.
Já em 7 de março de 2023, segundo o relatório do MPMS, Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula enviou mensagem a Mehdi Talayeh afirmando que realizava medições mesmo sem os chamados “apontadores”, responsáveis pelos registros diários das frentes de serviço:
“As Rial estou fechando, está demorando porque estou tendo que medir as ruas que fizeram que não tinha apontador”.
Na interpretação dos investigadores, o diálogo sugere que medições eram fechadas sem documentação técnica considerada essencial para comprovação dos serviços executados.
Outra conversa destacada pelo Ministério Público ocorreu em 4 de abril de 2023. Segundo o relatório, Mehdi Talayeh determinou prioridade para duas empresas investigadas:
“Agiliza RIAL e Engenex também”.
No dia seguinte, 5 de abril de 2023, ainda conforme o documento, Mehdi voltou a cobrar rapidez nas medições:
“Já estão cobrando aqui”.
O relatório também reproduz uma conversa de junho de 2021 considerada uma das mais sensíveis da investigação por mencionar diretamente o ex-secretário da Sisep, Rudi Fiorese.
Na troca de mensagens, o servidor Fernando de Souza Oliveria escreve para Mehdi Talayeh:
“Pq o Rudi, tinha pedido para manter nessa proporção, da pra dar uma jogada fácil aqui, ms já foi. Jr vou aumentar uns 100 de caminhão”.
O MPMS afirma que a conversa indica possível manipulação de quantitativos lançados nas planilhas de medição. Segundo os investigadores, a referência ao aumento de “100 de caminhão” sugere acréscimo artificial nos volumes registrados para pagamento.
Para o MPMS, o conjunto das mensagens reforça a suspeita de um esquema de fraude em contratos de manutenção viária, baseado em medições manipuladas e pagamentos incompatíveis com os serviços efetivamente executados.
As defesas dos investigados ainda poderão contestar a interpretação dada pelo Ministério Público às mensagens e aos contratos analisados na investigação.


