Aposentado ganha a vida no grito na 14 de julho
Das cenas pitorescas no centro de Campo Grande, chama atenção a performance de um senhor com um grande guarda-chuva preto em meio ao sol quente da tarde.
“O sol tá muito quente, previna-se minha gente, crianças e idosos podem ficar doente”, grita ele com auxilio de um megafone, entre um comercial e outro.
É no grito que Antonio Roberto Teruel, 65 anos, o “Antonio Poeta”, como se denomina, ganha o pão de cada dia. O sobrenome se explica, ele é irmão do ex-deputado Pedro Teruel.
É na esquina da rua 14 de Julho com a avenida Afonso Pena que o aposentado elabora frases para promover a venda em diversas lojas do comércio local.
Além da garganta, o guarda-chuva serve de adereço para dar mais destaque à loja anunciada. Em cada ponta há um folder do “cliente”. “Tive essa ideia e ela gostou (a dona da loja)”.
Segundo ele, tudo começou na base da colaboração e quando viu já estava ganhando.
“Comecei a fazer frases rimadas divulgando a loja e um dia a dona me chamou pra ter uma conversa. Achei que ia tomar um ralo, mas não, ela queria saber quanto cobraria por isso”.
São R$20,00 a hora por comercial divulgado na garganta. Mas Antonio Poeta garante que em breve deve ampliar pequeno o negócio com gravações em rimas.
“Já não tenho mais garganta pra passar o dia aqui gritando”, explica.
Há dois meses nessa rotina, o aposentado garante que o trabalho extra vem fazendo toda a diferença no orçamento no fim do mês.
“Vida de aposentado é isso aí minha filha não dá pra viver de apenas um salário”.
Na loja que comercializa produtos eróticos uma funcionária garante que o trabalho de Antonio tem rendido bem. “A gente sabe que o trabalho dele abrange o nosso publico”, disse sem se identificar.