Família de motociclista atropelado protesta contra liberdade de caminhoneiro
Com cartazes, familiares de Osmar Aparecido Santana pedem justiça e mudança na legislação de trânsito
Família de Osmar Aparecido de Oliveira Santana fez protesto esta manhã, em frente ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), depois que a Polícia Civil interrogou o homem que matou o rapaz em acidente no dia 19 de dezembro e o liberou.
Osmar Santana conduzia motocicleta no cruzamento da Avenida Salgado Filho com a Rua Thomas Edson, no Jardim Paulista, quando foi surpreendido por caminhão que invadiu a preferencial. Ele tentou parar, se desequilibrou e caiu. O veículo continuou o trajeto e o atropelou, matando-o instantaneamente.
“Não dá para aceitar o assassino do meu irmão se apresentar na delegacia e sair pela porta da frente, livre, escoltado pela polícia, como se ele fosse a vítima”, disse o carpinteiro Oscar Aparecido de Oliveira Santana, 31 anos.
A manifestação em frente ao MPMS na Rua da Paz tem a participação de cerca de 20 pessoas, que seguram cartazes feitos à mão pedindo mais segurança no trânsito, mudança na legislação e justiça por Osmar Santana. Esta semana, o Judiciário está em regime de plantão de fim de ano e ninguém apareceu para falar com o grupo.
O depoimento do caminhoneiro Laurindo Marques Pereira foi prestado ontem, na 4ªDP (Delegacia de Polícia). Ele afirmou ao delegado que estava com o caminhão carregado e vinha no embalo, por isso desrespeitou a parada e atingiu Osmar, que estava em uma Honda CB300. Diz que parou um pouco mais a frente e viu os bombeiros cobrindo o corpo. Por isso, fugiu.
O irmão da vítima alega que há relato de testemunha, que pegou carona com o caminhoneiro e que diz que ele foi alertado da proximidade do motociclista, mas não parou e desrespeitou a preferencial. “Isso é inadmissível”, afirmou.
A viúva de Osmar, a pizzaiola Jéssica Fernandes, 26 anos, soube da morte dele por um policial, que atendeu o celular da vítima. No momento do acidente, ele estava a caminho da Receita Federal para abertura de MEI (Microempreendedor individual). Os dois estavam prestes a concretizar o sonho de abrir pizzaria e confeitaria. Os salões foram construídos pela família, na Vila Carlota.
“Acabou com a minha vida”, lamentou. Os dois estavam juntos há sete anos e dois meses e o rapaz deixa filha, fruto de outro relacionamento. Sobre o caminhoneiro, Jéssica também lamentou que ele não foi preso. “Ele é um covarde, deixar ser humano assim, sem prestar socorro”.