Fogão à lenha é salvação de Eva que não consegue pagar gás cada vez mais caro
O preço do gás de cozinha subiu 5,1 % afeta diretamente na conta de famílias e comerciantes
Fogão à lenha é a salvação de dona Eva Conceição da Rocha que não tem condições de pagar ainda mais caro no gás de cozinha. "Sempre tenho que abrir mão, deixar de comprar algo para conseguir outro. O valor está um absurdo", destaca.
Aos 54 anos, a dona de casa mora com a família no bairro Nova Campo Grande há mais de duas décadas. Na residência, vive ela, o esposo que está desempregado, os filhos e mais dois cachorros. A renda não é muita, dá apenas para comprar o básico e o gás, que teve aumento de 5,1% anunciado pela Petrobras neste mês, virou produto de luxo.
"Não tenho mais. Meu esposo fez um fogão à lenha há três anos porque o preço já estava alto e não podíamos comprar", recorda. Agora, para sobreviver, Eva anda pelas ruas do bairro atrás de galhos para usar como lenha. "Saio catando para acender o fogão e preparar a comida", completa.
Na mesma região, o aposentado Luiz Antônio da Silva, 68, lembra que pagou R$ 68,00 no gás que comprou há pouco mais de uma semana. "Aqui usamos até dois botijões por mês. O preço já estava alto, agora vem o baque novamente. Moramos eu e minha esposa, mas sempre aparece os filhos e netos e temos que cozinhar mais vezes".
O jeito agora é apertar o cinto para guardar dinheiro. "Está aumentando tudo, não temos saída. O preço de alguns alimentos também está caro. Não temos saída", declara.
Pelo bairro, quem também sofre com o preço desproporcional do produto é Lídia Célia Martins Coene, que precisa comprar dois botijões a cada quinzena. Aos 42 anos, ela é cozinheira e há cinco meses resolveu vender salgados em frente da casa onde mora. "Fiquei desempregada e tive que buscar outra fonte de renda".
Começou vendendo pastéis e outros salgados por R$ 1,50, no entanto, o preço já subiu. "Para não sair no prejuízo agora vendo por R$ 2,50. Alguns clientes não gostaram, reclamaram do valor e acabei perdendo 10% da freguesia, mas não tem jeito, tá complicado".
Região oeste - Já na Vila Alba, a salgadeira Aparecida da Silva, 66 anos, proprietária do "Salgados da Cida" prefere ampliar a cardápio ao invés de reajustar o preço dos produtos. "Vai continuar sendo R$ 1,50 e minha saída é acrescentar, preparar mais coisas. Já criamos a parte da confeitaria, com bolos e doces".
A empresária é mais conhecida por Cida e relata que tem o empreendimento há 34 anos. Por conta da produção, costuma comprar gás toda semana e chega a gastar até R$ 5 mil. "Usamos o de 200 quilos e precisamos abastecer para continuar trabalhando. É difícil, vou ser afetada até na cozinha de casa".
A dona de casa Marinez Macena e o esposo aposentado Edgar Cabral, estão indignados com mais esse aumento. Ela tem 46 anos e acredita que isso é mais um efeito da pandemia da covid-19. "Desencadeado pelo momento atual. Estamos passando por um período ruim. O problema é que esse reajuste acarreta em mais aumentos", declara.
Ela bolou uma estratégia para gastar menos gás. "Faço bastante comida no almoço, aí sobra pra janta. Não estamos recebendo visitas, então não preciso cozinhar tanto". Já Edgar, 51 anos, comenta que o reajuste do gás não afetará tanto seu bolso, mas o que preocupa o aumento dos outros produtos. "Os alimentos como arroz, óleo, o combustível, as tarifas de ônibus. É o efeito cascata, o preço das coisas estão num descompasso grande".
"Não dá para pobre comer", destaca o aposentado Donaldo Padilha, 68 anos.
Ele mora com um filho e relata que apesar de não cozinhar em casa, costuma comprar marmitas para se alimentar durante a semana. "Economizo no gás, mas devo pagar um pouco a mais no almoço. Cozinho em casa só quando tem mais gente. Quem depende do gás vai passar apertado", finaliza.
Reajuste - O aumento do gás de cozinha foi anunciado neste mês e o reajuste passou a valer no dia 3. Em Mato Grosso do Sul, o preço médio do gás de cozinha divulgado na última pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), atingiu R$ 75,70.