Raul, Fusca que carregou livros e sonhos de Márcia, é a herança para sobrinho
Câncer que atinge 1 em 1 milhão levou Márcia e deixou "Raul", que tinha tudo a ver com a dona
Um câncer que atinge um em um milhão. Uma luta de nove meses e a despedida de Márcia. Aos 40 anos, a professora parou de rodar pela cidade com "Raul", o Fusca customizado que transportava livros e sonhos da mestre. O que ficou de quem partiu foi o carro, hoje nas mãos de quem ajudou a dona na escolha, o sobrinho Marcelo.
Raul e o sebo São Miguel já tinham sido história aqui no Lado B. A ideia de fazer um sebo a quatro rodas surgiu quando a professora percebeu o tamanho de seu acervo construído à época de mestrado. E era assim que ela vendia e fazia amigos. Naquela entrevista, Márcia justificou Raul Seixas:
"Ele era canceriano como eu, tinha um estilo de vida muito parecido com o que eu acho legal e era alguém que falava sobre o que acreditava".
O diagnóstico chegou em março do ano passado, de um pseudo mixoma peritoneal e em dezembro, ela partiu. Sobrinho por parte de mãe, Marcelo, hoje com 39 anos, quem foi o escolhido, pela companheira de Márcia, Rosely Abdo para ser o tutor e motorista de Raul.

Branquinho, comprado 15 anos atrás, de 1983, Raul era a cara de Márcia. "Ela tinha outro carro, mas o Fusca era o que ela não vendia de jeito nenhum. Gostava muito dele, foi o primeiro carro que ela foi comprar e eu fui com ela escolher, para ver se estava bonzinho", recorda o auxiliar de compras, Marcelo Brito Bravagini.
E foi através dele que Márcia fez amizades, como no Clube do Fusca. "Todo mundo que conhece ela e vê, sabe o que carro era dela. Por isso quero deixar como está", completa o sobrinho. Uma pessoa super alto astral e do bem, o que a professora mais gostava era de ajudar as pessoas.
"Às vezes você tinha alguma dúvida, pensava em alguma coisa e comentava e ela já vinha com três, quatro soluções para você e isso era com todo mundo", narra Marcelo. Muito querida, a família teve a certeza disso na despedida. "Ali vimos que realmente tinha muita gente que gostava dela, no velório".
Por entender de carro e compartilhar da mesma paixão que a tia pelo Fusca, é que coube a Marcelo a responsabilidade por Raul.
"Eu não penso em vender ele. Está fora de cogitação. Prefiro manter como recordação dela e de vez em quando, o pessoal que ver o Raul na rua, vai lembrar", resume.
O estilo "sociedade alternativa", pregado por Raul, onde o "ser" vale mais do que "comprar", continuará passando a mensagem de Márcia por aí.
O sebo ficou sob os cuidados da companheira. Rosely pretende fazer um sarau em casa e colocar à venda o que ficou.
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