Junho, o "carnaval" dos forrozeiros, tem cada vez mais bandas em Campo Grande
Quando comecei a aproveitar de verdade a noite de Campo Grande, Zezinho do Forró era o doferente no mundo da MPB e do pop nos bares da cidade. Hoje, uns 15 anos depois, o ritmo é ouvido com muito mais frequência por aqui. Zezinho abriu a possibilidade que outras bandas abraçaram.
Com as festas juninas quase aí, os forrozeiros têm a agenda cheia no mês que funciona como “carnaval” para a truma da zabumba e sanfona. O grupo mais conhecido hoje é Forró Zen, de Zé Bruno (voz e violão), Ricardo Ramalho (voz e contra-baixo), Rafael Bahia (percussão), Wilson Jr (zabumba), Marcelo Santos (sax e flauta) e Marcelo Kiwi (teclado).
Os meninos começaram há 6 anos cantando Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos...e agora têm trabalho autoral suficiente para gravar um CD. “Falta só dinheiro”, lembra Rafael.
Com público fiel em bares como República e Barbaquá, o grupo ainda se surpreende com o forró em Mato Grosso do Sul. “Fomos para a Festa da Farinha em Anastácio e ficamos surpresos ao ver tanta gente da comunidade nordestina lá. Tem até Centro de Tradições Nordestinas”, comenta o percussionista.
Com sax e flauta nos arranjos, eles dizem fazer “forró chique”, mas tocam de pé de serra ao estilo universitário. O hit é "Ó Xenti My Love", que fala de de um amor que "desliza, cai da mão".
Até pouco tempo, Maicon Baiano também estava no grupo, mas resolveu sair e agora já forma uma banda nova, que pode ganhar o nome “Forró do Baiano”.
Nascido na região metropolitana de Salvador, Maicon veio para Campo Grande há cerca de 3 anos porque a esposa é campo-grandense. Chegou e já saiu cantando para ganhar dinheiro.
Ele compôs para o Forró Zen e depois de deixar o grupo, sem ressentimentos, começou do zero, mas já encontrou gente para tocar zabumba, triângulo, flauta e sanfona. “Já estamos fazendo shows e com apresentações agendadas”, comemora.
Mas de todos, os mais originais são os músicos do “Forró no Ar”, com um autêntico pernambucano na sanfona e cearenses na zabumba e voz.
Só no ritmo pé de serra, o trio é convidado todos os anos para as 3 edições da festa do Centro de Tradições Nordestinas de Campo Grande, que em fevereiro, julho e novembro fecha o Tênis Clube para o ritmo nordestino.
Apesar do reconhecimento pela comunidade, a banda ainda acha que o público é restrito, mas acredita que o número de fãs pode crescer. “Tocamos de tudo, o baião, o dois por dois, e vemos que muita gente dança. Mas temos música para muito mais, para reunir muito mais gente”, diz o vocalista Antônio Muniz dos Santos, que há 30 anos deixou o nordeste com a família para viver em Mato Grosso do Sul.
Sem muitas pretensões, ele garante que não faz propaganda do grupo e que a pouca fama vem “do boca a boca”.
Pela originalidade, o Forró no Ar foi a primeira banda contratada pelo Lado B para o “Casório do Ano”, festa que no dia 23 de junho vai comemorar a relação do Campo Grande News com a cidade em um arraial montado na rua do Laticínio.
A festa, na Tapiocaria Pernambucana, será aberta às 17 horas ao som do forró pé de serra.