Uma noite de músicas clássicas e com o rasqueado de Beth e Betinha
A noite foi fria, mas regada a músicas clássicas e ao inconfundível rasqueado sertanejo da primeira dupla feminina de Mato Grosso do Sul, Beth e Betinha. Pela diferença entre os estilos, a descrição pode até parecer improvável, mas aconteceu e deixou os moradores do Jardim Aeroporto, em Campo Grande, com gosto de “quero mais”.
A platéia não era das mais lotadas, pelo contrário, sobrou espaço, mas não faltou empolgação. O pintor Ednei Pinheiro Alves, de 33 anos, fez que questão de levar os dois filhos à rua Heitor Vieira de Almeida, local onde aconteceu as apresentações.
“É raridade ter algum evento aqui no bairro”, comentou, acrescentando que a iniciativa é uma forma de valorizar e levar cultural a quem está distante. Brenda Paiva, a mais velha, de 14 anos, não tirava os olhos da Orquestra Jovem, da Fundação Manoel de Barros.
Para a adolescente, que também é musicista na banda mirim de PM (Polícia Militar), os shows musicais são uma forma de incentivo. Ednei conta que o filho caçula, Richard Paiva, de 7 anos, já está aprendendo a tocar bateria e que, por isso, também foi junto. “Ele é bom de ritmo”, diz, todo orgulhoso.
Antonia da Silva Pereira, de 58 anos, e Jerson Gomes, de 78 anos, chegaram cedo para não perder nenhum detalhe. Das últimas cadeiras acompanhavam toda a apresentação. A nora, a auxiliar de serviços gerais Roseli Paredes, de 53 anos, foi quem convidou o casal. “Traz cultura para o bairro”, relatou.
No palco o maestro Eduardo Martinelli interagiu com o púbico e explicou um pouco da função da orquestra e dos instrumentos. Depois, pediu que alguns dos músicos, se maneira rápida, fizessem pequenos solos para a platéia.
No repertório, músicas clássicas de compositores brasileiros e regionais como Chalana e Mercedita. Para o maestro, a aceitação do público, apesar de pequeno, foi acima do inesperado e, além disso, indica que é possível trabalhar com música erudita na comunidade.
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“Vale a pena insistir. A experiência mostra que pode dar certo”, relatou. A sensação de tocar no teatro e ao ar livre, declarou, são diferentes. “É como jogar futebol no campo e na quadra”.
Por volta das 9h, após a apresentação da orquestra, a dupla sertaneja Beth e Betinha subiu ao palco. As irmãs - que formaram a primeira dupla sertaneja feminina do Estado e estão na ativa há mais de 50 anos - tocaram e cantaram por aproximadamente 30 minutos.
Betinha relembrou um pouco da trajetória e afirmou que a raiz sertaneja está ficando para trás. “Sertanejo raiz, para nós, é Teodoro e Sampaio, Tonico e Tinoco, Milionário José Rico... Não que os outros não sejam bonitos, mas é que os outros não são raiz”, disse.
Depois do show, em entrevista, comentou que apesar das 5 décadas dedicadas à música, muitos jovens não conhecem a história da dupla, daí a importância do evento, tanto para levar cultura a um bairro relativamente afastado quanto para divulgar o trabalho às novas gerações.
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Além disso, comentou sobre a onda universitária. “Não tem nada de sertanejo”, disse. “O verdadeiro sertanejo tem amor, poesia, fala ‘e aí, comadre? Está tudo bem?”, exemplificou.
O presidente da associação de moradores, Elvis Rangel, de 32 anos, afirmou que a proposta era criar um evento que reunisse toda a família e terminasse, no máximo, às 22h. O trabalho de divulgação começou há uma semana em escolas, postos e outras entidades espalhadas pela região.
Elvis Rangel afirmou ainda que o show de Beth e Betinha veio para atender, em especial, ao público da terceira idade do Cras (Centro de Referência e Assistência Social) instalado no bairro.
O evento – Show nos bairros - é uma realização da prefeitura de Campo Grande em parceria com a Fundac (Fundação Municipal de Cultura).