Para evitar dois júris, defesa de réu por matar Sophia também desiste de recurso
Advogados de Christian Leitheim entendem que cliente deve enfrentar jurados junto com mãe da vítima
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Numa estratégia para evitar que Christian Campoçano Leitheim, de 27 anos, enfrente corpo de jurados sozinho, a defesa do padrasto acusado de espancar a enteada até a morte em janeiro do ano passado desistiu do recurso contra a sentença que o mandou a júri popular.
O pedido de desistência foi protocolado nesta quarta-feira (3), dois dias depois que advogadas de Stephanie de Jesus da Silva, 25, a mãe que também é ré pela morte da filha, Sophia Ocampo, aos 2 anos e 7 meses, renunciaram ao direito de recorrer da mesma decisão e pediram que o processo fosse desmembrado, de modo que o julgamento da acusada fosse logo marcado.
Na peça processual, os advogados Pablo Arthur Gusmão Buarque, Renato Cavalcante Franco, Willer Souza Alves de Almeida e Arianne Dryelle de Siqueira justificam que “o recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso”.
Já em nota enviada à reportagem, os defensores de Christian dizem entender que júri do cliente ao lado de Stephanie será mais justo. “A defesa discorda que o julgamento ocorra em separado, pelo menos, pelos motivos lá expostos. Isto porque, o fato que deu causa ao julgamento é situação a que ambos respondem e na qualidade de corréus. Portanto, o julgamento único, de ambos, perante o mesmo Conselho de Sentença, é crível, pois se trata, como dito de um mesmo fato para quem será atribuída a devida responsabilização, se assim ocorrer ‘na medida de suas culpabilidades’”.
Os advogados também justificam que a desistência do recurso acelerará o andamento do processo, já que um dos argumentos dados pela defesa de Stephanie para o desmembramento da ação era que a cliente estava sendo prejudicada com o atraso na marcha processual, presa preventivamente desde janeiro do ano passado sem ser considerada culpada ou inocente.
“Em relação ao posicionamento daquela defesa técnica, a defesa de Christian respeita e corrobora que existem prejuízos causados. Porém, a ambos. Não apenas a um deles, tal como a demora na realização de julgamento e a situação da prisão preventiva que se arrasta no tempo, sem a devida revisão, por exemplo”, diz o texto enviado ao Campo Grande News.
A acusação – Na tarde do dia 26 de janeiro do ano passado, Sophia deu entrada na UPA do Coronel Antonino, no norte de Campo Grande, já sem vida. Inicialmente, a mãe, Stephanie, que foi até lá sozinha com a garota nos braços, sustentou versão de que ela havia passado mal, mas investigação médica encontrou lesões pelo corpo, além de constatar que a morte havia ocorrido cerca de quatro horas antes da chegada ao local.
O atestado de óbito apontou que a menininha morreu por sofrer trauma raquimedular na coluna cervical (nuca) e hemotórax bilateral (hemorragia e acúmulo de sangue entre os pulmões e a parede torácica). Exame necroscópico também mostrou que a criança sofria agressões há algum tempo e tinha ruptura cicatrizada do hímen – sinal de que sofreu violência sexual.
Para a investigação policial e o MP, a menina foi espancada até a morte pelo padrasto, depois de uma vida recebendo “castigos” físicos.
Para mandar o casal a júri, o juiz Aluízio Pereira dos Santos trouxe na sentença trecho do depoimento do perito Fabrício Sampaio Morais de Paiva para grifar a crueldade aplicada contra a vítima. Veja:
Versões – Stephanie alega que não viu Christian batendo em Sophia, mas atribui a morte da filha ao ex-companheiro. “Quando eu saí, ele já estava com ela no colo, desacordada. Ele deitou ela no colchão e fez massagem cardíaca, respiração boca a boca nela. Mas, eu estava tão desesperada que eu não sabia o que fazer, que eu não me toquei na hora o que estava acontecendo”, relatou no dia 5 de dezembro.
Já Christian alega que dormiu o dia todo sob efeito de drogas e álcool. Disse que foi despertado pela mulher. “Quem me acordou foi a Stephanie falando que a Sophia não estava bem. Quando eu vi, ela já estava com a boca roxa e convulsionando”.
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