Bebê internado com pulmões em colapso e fraturas respira por aparelhos
Como o quadro clínico é estável, médicos tentarão aos poucos retirar a sedação; mãe e padrasto estão presos
O bebê de 1 ano e 1 mês internado na Santa Casa de Campo Grande com as clavículas quebradas, traumatismo craniano e pulmões perfurados (pneumotórax) está sedado e respira com a ajuda de aparelhos. Como o quadro clínico é estável, médicos tentarão aos poucos retirar a sedação para avaliar a recuperação e o despertar da criança.
O menino deu entrada no pronto-socorro na terça-feira (14), depois que a mãe e o padrasto o socorreram para outra unidade de saúde da Capital. Suspeitando de maus-tratos, a equipe da Santa Casa acionou a polícia e o casal acabou preso.
O caso agora é investigado pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). A mãe e padrasto deram duas versões sobre o ocorrido. Primeiro, ainda no hospital, disseram aos policiais que o bebê havia caído de uma cama.
Como havia a suspeita de crime na casa da família, a perícia foi acionada e durante os trabalhos no imóvel, quando confrontado, o padrasto acabou contando outra história. Ele disse que o casal decidiu mentir para não revelar que havia deixado o bebê sozinho em casa.
O homem afirmou que saiu por volta das 7h para levar a mulher, manicure, na casa de uma cliente, e que demorou um pouco a voltar. Em casa, ele se deparou com o enteado, que havia sido deixado em um sofá, caído no chão. Pegou o garotinho, o acalmou e o colocou no berço. Mais tarde, por volta das 9h, o bebê teria apresentado piora e vomitado. Foi quando ele decidiu contar o ocorrido para a mulher, deu banho na criança, tentou massagem cardíaca e respiração boca a boca e só então levou o menino para unidade de saúde.
O casal foi preso em flagrante pelos crimes de abandono de incapaz, com causa de aumento por lesão corporal grave, e fraude processual qualificada (tentativa de atrapalhar a investigação).
O delegado responsável pelo caso, Roberto Morgado, não descarta, porém, a suspeita de maus-tratos e até de tentativa de homicídio. “Nada está descartado, nem um atentado à vida da criança. Com as perícias no local e futuras perícias na criança será possível afastar ou confirmar a situação de maus-tratos”, afirma Roberto Morgado.
O delegado esclarece que o quadro de pneumotórax pode estar relacionado à respiração boca a boca e clavículas quebradas, à tentativa de massagem cardíaca, que o padrasto alega ter feito na criança. “Só a perícia para determinar se as lesões são compatíveis com uma queda”, afirmou.