Mais recursos e médicos temporários estão entre soluções para superlotação
Reunião com prefeita debateu causas do problema, mais latente agora que vírus respiratórios estão no ar
Reunião entre a prefeita Adriane Lopes (PP), membros da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), vereadores e Defensoria Pública discutiu, nesta quarta-feira (2), as causas da superlotação das unidades de saúde da Capital e as soluções imediatas e a médio prazo para lidar com isso.
RESUMO
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A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), reuniu-se nesta quarta-feira (2) com representantes da Secretaria Municipal de Saúde, vereadores e Defensoria Pública para discutir a superlotação nas unidades de saúde da capital. A cidade enfrenta um déficit de R$ 23 milhões na Média e Alta Complexidade e investe 33% do orçamento em saúde, mais que o dobro do exigido por lei. Para enfrentar a crise, a Sesau implementou um Plano de Contingência que inclui equipes volantes para reforçar o atendimento nas unidades mais lotadas. A secretária Rosana Leite informou que houve aumento de 44% nos atendimentos entre fevereiro e março, comparado ao ano anterior. Cerca de 80% dos casos poderiam ser resolvidos nas Unidades Básicas de Saúde. A baixa adesão à vacinação contra Influenza preocupa: apenas 6,6% da meta foi atingida. A secretaria estuda realizar vacinação domiciliar e já iniciou imunização em escolas e asilos. Os principais vírus circulantes são rinovírus, VSR e Influenza.
Adriane destacou que o objetivo é melhorar o atendimento à população na época em que as síndromes respiratórias costumam demandar mais das unidades de saúde.
"Estamos enfrentando essas doenças e apresentamos as estratégias que estão sendo implementadas em todas as unidades de saúde da Capital. Nossas equipes estão atuando de forma pontual diante do aumento dos casos e dos agravamentos em muitos pacientes", afirmou.
A situação é crítica não só nas unidades de saúde, mas também nos hospitais, porque faltam leitos de internação para tratar dos casos que se agravam. A principal solução para isso foi discutida na última semana entre a secretária municipal de Saúde, Rosana Leite, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além de deputados federais.
A prefeita informou que há um deficit de R$ 23 milhões nos gastos relacionados ao MAC (Média e Alta Complexidade Ambulatorial e Hospitalar), que impacta hospitais, CRSs (Centros Regionais de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento). A secretária solicitou ao ministério um aporte financeiro e a atualização do valor repassado pela União. Apesar de já haver autorização para um reajuste dos recursos recebidos atualmente, a portaria que dá o aval ainda não foi publicada.
A prefeita ainda lembrou que o investimento obrigatório do Município na saúde, por lei, deve ser de 15% do orçamento total, mas atualmente Campo Grande investe 36%.
Medida emergencial que a Sesau tomou foi contratar 56 médicos temporários para trabalhar no pronto atendimento das unidades. A expectativa é que ajude a reduzir o tempo de espera nas unidades.
Tentar melhorar os índices de vacinação contra a influenza tem sido outro foco diante dos sintomas mais acentuados que os vírus respiratório vêm causando, podendo causar morte de grupos mais sensíveis como crianças e idosos. Escolas e lares para idosos serão visitados a partir deste mês para vacinação.
Atendimentos - Durante a reunião, foram reforçadas as medidas já em prática para reduzir a superlotação das UPAs e CRSs. Entre elas estão as equipes volantes, que identificam as unidades com maior fluxo de pacientes e reforçam o atendimento nelas temporariamente.
Conforme a Secretaria de Saúde, o atendimento nesses locais cresceu 44% entre fevereiro e março deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado.
Por outro lado, o número de internações por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) caiu 21% na comparação entre janeiro e março de 2024 e de 2025. A quantidade de óbitos também teve queda: foram 38 este ano contra 65 no mesmo período de 2024.
Duas das causas da superlotação é que Campo Grande segue absorvendo a demanda do interior e muitos pacientes procuram as unidades para casos que poderiam ser resolvidos nas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Segundo estudo da Sesau, 80% dos atendimentos feitos nas UPAs e CRS poderiam ter sido realizados nos postos de saúde.
Os vírus que mais têm causado agravamento de quadros são o rinovírus, o VSR (vírus sincicial respiratório) e o influenza.
A defensora pública Eni Diniz, que acompanhou a reunião, relatou que há muitos pedidos de judicializações sobre a falta de leitos. Segundo ela, o ideal é a Defensoria estar em constante contato com a Sesau para avaliar caso a caso antes de entrar com ação judicial.
Eni sugeriu que a Sesau informe melhor as famílias dos pacientes sobre a real situação deles, pois muitos procuram o órgão sem saber detalhes suficientes.
Ainda conforme a defensora, como o órgão atende populações vulneráveis, como idosos e crianças, será feita uma campanha de vacinação voltada a esse público dentro do prédio.
Horário estendido - O vereador Jamal Mohamed Salem, o Dr. Jamal (MDB), sugeriu que pelo menos uma unidade de saúde de cada região de Campo Grande passe a funcionar até as 23h para absorver casos menos graves que chegam às UPAs e CRSs.
Rosana afirmou que é feito um estudo para ampliação de unidades abertas até mais tarde, mas que, no momento, a prefeitura não tem enfermeiros e técnicos de enfermagem o suficiente para isso.
Conforme a superintendente da Atenção Básica da Sesau, Ana Paula Rezende, apenas duas unidades básicas estão funcionando até as 23h atualmente.
"São as Unidades de Saúde da Família do Noroeste e do Tiradentes. Elas têm apresentado resultados muito positivos", afirmou. Segundo ela, até maio, a Unidade de Saúde da Família do Los Angeles também deverá funcionar até o mesmo horário.
Vacina - Em cinco dias de campanha de vacinação contra o influenza, a Capital vacinou 6,6% da meta de 90% das grávidas, idosos e crianças. Ao todo, 18.122 pessoas foram imunizadas até agora.
No ano passado, o município não atingiu a meta de cobertura vacinal. Para este ano, a Sesau estuda até a busca do público-alvo nas residências. "A população não está indo se vacinar. Vamos ter que levar a vacina em casa? Talvez", disse a secretária.
Matéria editada às 16h13.
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