Um dia após mutirão de limpeza, usuários de drogas retornam à antiga rodoviária
Guarda Municipal promoveu ação e, com apoio da Sisep, retirou 10 toneladas de entulho do local
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Dependentes químicos e moradores de rua já voltaram à antiga rodoviária hoje (6), menos de 24h após mutirão de limpeza promovido no terminal Heitor Eduardo Laburu. A ação foi coordenada pela Guarda Municipal na quinta-feira (5), com apoio da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e a administração do prédio.
Durante a tarde de ontem, usuários de drogas foram dispersados e entulhos foram removidos, no total de 10 toneladas de resíduos.
Hoje, muitos são vistos novamente consumindo drogas, como pasta base de cocaína, à luz do dia. No início da tarde, a reportagem encontrou mais de vinte pessoas perambulando pelo local.
Os dejetos também voltaram, como restos de marmitas, mantas e colchões levados por quem dorme ali, ao relento.
Esse tipo de força-tarefa ocorre com certa frequência, mas não resolve em definitivo a situação de abandono da antiga rodoviária, não oferece o atendimento especializado, nem há vagas suficientes para internação, que também não pode ser compulsória.
Pela região, comerciantes olham a cena indignados com a falta de solução. Alguns chegaram a ajudar ontem, nos trabalhos de retirada de sujeira do local. "Trabalho aqui desde os 15 anos, comecei com o meu pai, em uma época de glória. Mas desde que fecharam, a situação é essa. Problema é que agora estão falando em revitalizar, mas como, se não tem para onde levar os usuários de drogas", reclama empresário que pediu para não ter o nome divulgado para "não criar encrenca nem com a guarda, nem com os usuários".
A SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) até esteve no local para oferecer acolhimento a um dependente químico que manifestou interesse em ser encaminhado para uma comunidade terapêutica, mas o homem acabou desistindo da ajuda. A realidade daquele ponto da cidade acabou rendendo à região o apelido de “cracolândia” da Capital.
De acordo com a Sisep, foi necessária a utilização de dois caminhões para efetuar a retirada de lixo e entulhos do local, principalmente colchões, papelões e barracas improvisadas.
Para um vendedor que trabalha na região e que pedu para não ter o nome revelado, somente ações permanentes no espaço podem oferecer alguma solução mais definitiva para a situação.
“No momento da limpeza de ontem os usuários de drogas saíram de lá, mas depois eles retornaram. Eles também ficam em ruas do entorno, como na Vasconcelos Fernandes. A limpeza é só para maquiar a situação, mas, resultado, não tem. A única coisa que foi efetiva ali foi quando um posto da Polícia Militar foi montado na rodoviária. Pode até ser feita operação e limpeza, mas os moradores de rua voltam”, contou ao Campo Grande News.
Revitalização - Comerciantes agora esperam a tão sonhada revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande. Nesta semana, as empresas interessadas na obra de requalificação entregaram a cumentação que comprovará ou não a habilitação para realização do projeto.
O terminal rodoviário e o uso dos espaços públicos foram desativados em 2010, permanecendo no local algumas lojas privadas. A prefeitura já havia tentando emplacar uma revitalização em 2019, com recurso estimado de R$ 15,9 milhões. Porém, a empresa que venceu este primeiro certame desistiu da obra.
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