Substituição do Papanicolau por novo exame ainda não tem data para implantação
Saiba como funcionará o novo teste de HPV, que é mais eficaz e utilizado em diversos países
A informação sobre a possível substituição do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV para detectar o HPV (Papilomavírus Humano) pegou muitas mulheres de surpresa e gerou preocupação. No entanto, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e a SES (Secretaria de Estado de Saúde), ainda não há previsão para a implementação da mudança.
RESUMO
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A substituição do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV para detectar o HPV ainda não tem data para ser implementada no Brasil. As secretarias de saúde aguardam diretrizes do Ministério da Saúde sobre financiamento e operacionalização. O novo teste, já adotado em países como os EUA, identifica o vírus antes de causar alterações, aumentando a eficácia do rastreamento do câncer de colo do útero. A mudança exigirá capacitação dos profissionais de saúde e, embora o Papanicolau continue, a ordem dos exames será invertida. A vacinação e o diagnóstico precoce são essenciais na prevenção do câncer.
Em nota, a Sesau esclareceu que “o município ainda aguarda deliberações do Ministério da Saúde, quanto à mudança da realização do exame preventivo. Cabe ressaltar que, neste momento, a Secretaria Municipal de Saúde realiza diversas ações de rastreio de casos suspeitos e de vacinação de adolescentes para prevenção de novos casos”.
A SES também informou que, embora o Ministério da Saúde tenha incorporado o teste molecular ao SUS, ainda não definiu o valor nem o financiamento da nova metodologia. “Dessa forma, no momento, não há uma diretriz clara para a implementação desse exame na rede”, afirmou a secretaria estadual.
Ainda segundo a SES, a pasta está acompanhando a transição e aguarda novas definições do governo federal para avaliar possíveis estratégias de atuação. “Assim que houver orientações concretas sobre o financiamento e a operacionalização do novo exame, informaremos sobre os próximos passos e possíveis ações a serem adotadas”, completou.
Mudança - A ginecologista Adriane Bovo, responsável pelo rastreamento de câncer de colo do útero no Hospital do Amor – referência no tratamento oncológico em Campo Grande e outras cidades do país – reforça que a aprovação do novo teste foi recente, e destaca a importância da mudança para a saúde das mulheres.
Ela explica que diversos países, como os Estados Unidos, já adotaram o teste molecular de DNA-HPV, sendo assim, a iniciativa não é nova na medicina e já é recomendada e consolidada em várias partes do mundo.
Como funciona - A principal diferença entre os exames é que o teste molecular de DNA-HPV identifica diretamente a presença do vírus antes que ele cause alterações no organismo.
“Hoje você colhe o material do colo do útero da mulher para fazer uma análise das células. Então eu vou lá, raspo o colo do útero, colho o material e vou estudar as células do colo do útero para ver se elas têm alteração ou não. Só que nós já sabemos que todas as alterações importantes relacionadas a câncer são causadas pelo vírus HPV. Então com esse novo teste, em vez de eu procurar quem o HPV já está alterando, eu vou procurar quem é que está com infecção pelo HPV. Então eu vou estar um passo antes", explica a médica.
Com essa mudança, será possível rastrear mulheres que possuem o agente causador do câncer antes mesmo do desenvolvimento de lesões, antecipando o diagnóstico em alguns anos. “O teste de biologia molecular pesquisa diretamente o vírus, de maneira automatizada, o que aumenta a eficácia”, acrescenta Adriane.
Atualmente, o Papanicolau é analisado manualmente por técnicos, o que pode levar a erros de interpretação. “Com a automação do novo teste, a precisão será maior, reduzindo o risco de falhas e permitindo identificar mais pacientes em situação de risco para o câncer”, conclui a médica.
O intervalo para a realização do novo exame será maior em comparação ao Papanicolau. Segundo a ginecologista Adriane Bovo, atualmente o Papanicolau é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos e deve ser repetido anualmente. Caso o teste tenha resultado negativo por dois anos seguidos, o intervalo passa a ser de três anos.
Com a nova metodologia, se o exame molecular der negativo, a paciente precisará refazê-lo apenas após cinco anos. A incidência de câncer de colo do útero em mulheres com menos de 25 anos é baixa, por isso, os testes preventivos são recomendados a partir dessa faixa etária.
Capacitação e mudanças - Para a implementação do novo exame, os profissionais de saúde precisarão passar por capacitação, já que a mudança impactará a rotina de atendimento.
A coleta do material será semelhante à do Papanicolau, já que em ambos é necessário retirar células do colo do útero. No entanto, em vez de o material ser colocado em uma lâmina, ele será armazenado em um tubo com meio líquido, onde será feita a leitura do HPV.
HPV e câncer - O HPV é o vírus causador do câncer de colo do útero, o terceiro tipo mais incidente no Brasil. A doença pode ser prevenida com a vacina, que protege contra quatro subtipos do vírus, além do diagnóstico precoce. Segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a estimativa é de que Mato Grosso do Sul registre cerca de 320 novos casos da doença a cada ano, no triênio 2023-2025.
A médica esclarece que o HPV é um vírus comum entre pessoas sexualmente ativas e que cerca de 15% desse grupo é portador. No entanto, a infecção não significa, necessariamente, o desenvolvimento do câncer.
A atualização no exame permitirá identificar as pacientes que possuem tipos de HPV relacionados ao câncer. Essas mulheres serão encaminhadas para exames citológicos e acompanhamento médico adequado. Apesar da mudança, o Papanicolau continuará existindo, mas a ordem dos exames será invertida.
O HPV possui diversas variações, algumas inofensivas e outras associadas ao câncer. Tipos que causam apenas verrugas, por exemplo, não serão identificados pelo novo exame, já que são perceptíveis a olho nu e podem ser tratados quando as lesões surgem.
Já os subtipos do vírus relacionados ao câncer são classificados conforme o risco, sendo os mais preocupantes o HPV 16 e 18. Ainda não há definição sobre qual teste será adotado pelo SUS (Sistema Único de Saúde), mas a recomendação médica é que o exame inclua a genotipagem do vírus, permitindo identificar a variante específica presente na paciente.
Adriane Bovo explica que o HPV é mais comum entre os jovens, mas o organismo pode eliminá-lo naturalmente, especialmente quando fatores como boa alimentação, ausência de tabagismo e não uso prolongado de anticoncepcionais favorecem a imunidade. O câncer ocorre quando a infecção persiste por muitos anos e outros cofatores, como o tabagismo, aumentam o risco.
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