Em 2019, o que o fogo levou a comunidade devolveu em dobro para seu José
Borracharia com 30 anos de história pegou fogo, mas comunidade fez de tudo para ajudar José a reerguer o negócio
Enquanto alguns contam os minutos para dizer adeus a 2019, o borracheiro José Carlos Rodrigues da Silva, de 51 anos, diz que tem motivos suficientes para agradecer, embora uma tragédia tenha devastado o patrimônio da família no mês de setembro.
Ele e seus familiares apareceram nos noticiários após ter a borracharia, com mais de 30 anos de história, destruída em um incêndio. No dia seguinte, entre os escombros, a tristeza virou solidariedade. Vizinhos e amigos se reuniram no local para oferecer café da manhã e abraços, os mesmos ajudaram seu José a reerguer a borracharia.
Neste mês, ele reabriu o estabelecimento que foi reconstruído. “Vou terminar esse ano agradecido, apesar do fogo, Deus e a minha comunidade me devolveram a alegria em dobro”, comenta José, que no dia do incêndio chegou a passar mal e foi levado para o hospital.
Um dia após a tragédia, José não falou com a reportagem, estava abalado com toda a destruição. “Eu criei meus filhos com essa borracharia. Quando vi tudo sendo destruído senti que meu coração não aguentaria. Foi um momento muito difícil”.
A esperança se renovou ao ver a movimentação da comunidade que não mediu esforços para ajudar a família, inclusive, José diz que essa foi a maior surpresa. “Eu sempre soube que fazer o bem é colher o bem. Mas não imaginava ser tão querido pelos vizinhos. Gente que eu nem conhecia resolveu ajudar e isso me emocionou muito”.
Ativo em uma congregação evangélica da região, José é conhecido, há muitos anos, pela dedicação às atividades na igreja e comunidades mais carentes da cidade. “Nós ajudamos muitas pessoas a construir casas em regiões carentes da cidade. É algo que sempre fez parte da nossa rotina”.
E isso não é autopromoção. Os amigos e moradores estão todos os dias na borracharia para comprovar. “Ele é um querido, honesto, amigo e, por isso, todo mundo se mexeu para ajudá-lo. Se essa borracharia está de pé novamente é porque ele mereceu”, afirmou o aposentado Osvaldo Alexandre, de 73 anos.
Além de consertos e a salvação dos desesperados que furam o pneu a caminho do trabalho, a borracharia nova virou ponto de alegria entre os amigos. “Se você for à minha casa e não me encontrar pode saber que eu estou aqui tomando um chimarrão”, diz o amigo Misach Fernandes Gomide, de 76 anos.
Ter o estabelecimento renovado e a companhia dos amigos para José é algo que não tem preço. “Eu sei que o ano foi difícil para muita gente, inclusive pra gente, mas não posso reclamar, só agradecer. Sei que Deus está em primeiro lugar, mas se não fossem esses amigos e a comunidade, não sei o que teríamos para comemorar nesse fim de ano. Agora é só sorrir”, finaliza.
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