Pescadores denunciam pesca predatória em rios de Porto Murtinho
Turistas e moradores estariam utilizando apetrechos proibidos para capturar cardumes e transportá-los sem lacre de inspeção.
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Uma das maiores áreas úmidas contínuas do planeta, o Pantanal constantemente é alvo da pesca predatória praticada por pescadores profissionais e turistas que visitam a região de Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, nessa época do ano.
De acordo com pescadores esportivos que frequentam os rios do município, centenas de infratores locais e de outros estados estão abatendo cardumes de peixes utilizando apetrechos proibidos, “aproveitando a escassa ou quase nula fiscalização dos órgãos competentes”. A situação foi relatada em reportagem do Portal Pesca Amadora, neste sábado (20).
O abate de inúmeras espécies, segundo o pescador amador Ricardon Haissan, ocorre nos períodos diurno e noturno, pois os criminosos sabem que a PMA (Polícia Militar Ambiental) da região não está fazendo o trabalho de fiscalização devido à estrutura escassa.
Outra preocupação dos pescadores esportivos é que o pescado capturado estaria sendo transportado sem o lacre de inspeção. “Cientes da falta de fiscalização, embarcações pesqueiras capturam e abatem uma quantidade muito acima da cota permitida por lei”, denunciam.
Ecossistema pantaneiro - A região de Porto Murtinho é fundamental para o abastecimento do estoque pesqueiro na região, pois é portal de entrada dos cardumes que sobem pela Argentina e Paraguai, para desovar no Pantanal, fazendo o ciclo natural de reprodução.
Nessa época do ano, os peixes do norte do Pantanal buscam águas profundas com temperaturas mais altas e ficam vulneráveis ao abate descontrolado. “Se nada for feito em relação a esse abandono e falta de rigor, o Pantanal corre risco de perder uma de suas maiores riquezas, que é a fartura de espécies nessa região”, disse Ricardo Hassuim.
Fiscalização preventiva - O tenente coronel da Edmilson Queiroz, da Polícia Militar Ambiental, disse que as denúncias precisam ser mais específicas, já que a área alagada frequentada por pescadores e turistas é muito abrangente.
Ele conta que há uma grande preocupação em relação aos vizinhos paraguaios, que invadem áreas brasileiras para praticar pesca ilegal. “Como a legislação de lá é diferente, eles acabam o usando rede com malhas muito pequenas, que é proibido pela legislação nacional”.
Em relação ao lacre, fazemos uma fiscalização muito intensa nas estradas para verificação do dispositivo, que é um instrumento para controlar a cota de pescado. Com ele, fazemos estudos junto ao Imasul e Embrapa para monitorar a reprodução e estoques pesqueiros”, disse ao Campo Grande News.
Ele disse que hoje não seria possível levantar o efetivo e estrutura da PMA em Porto Murtinho, e ressaltou que o trabalho do órgãos é mais focado na prevenção. “Quando recebemos denúncias com localização mais precisa possível é feita verificação em todas”.