Mulheres dizem que denúncias não podem prejudicar cotas e repasses
Evento na Câmara Municipal discutiu cota e espaço para as mulheres na política nacional
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As convidadas da audiência pública para discutir espaço na política, disseram que as denúncias de “laranjas” durante a eleição de 2018, devem ser investigadas e punidas, no entanto não podem modificar a cota de 30% às mulheres nos partidos, assim como repasse do fundo eleitoral para este público. O evento ocorreu na Câmara Municipal.
A preocupação das mulheres é que já surgiram projetos no Congresso Nacional, visando alterar tanto a cota partidária, assim como o repasse que foi de 30% para as candidatas na eleição do ano passado. Outra luta em pauta é para que haja uma cota fixa para as cadeiras do legislativo, seja municipal, estadual e federal.
O evento foi proposto pelo vereador João Rocha (PSDB), presidente da Câmara Municipal. “Precisamos refletir sobre o espaço das mulheres na política, propor esta discussão e fazer trabalho na base dos partidos, assim como nos legislativos. Temos que aprender com países que já evoluíram neste sentido”, disse ele.
A ex-senadora Marisa Serrano ressaltou que as mulheres já tiveram conquistas no campo político, mas não podem retroceder. “Na Argentina já são 50% das vagas para as mulheres, temos ainda muito a evoluir. O que não pode é em função de ações de mau caráter, acabar penalizando as mulheres, em relação ao fundo eleitoral”.
Ela lembrou que a lei que estabeleceu a cota de 30% (gênero) nos partidos foi uma conquista de 1997, tendo agora ainda o recurso próprio para campanha. “É muito triste um projeto que tenta revogar esta conquista”, disse ela. A proposta foi do senador Ângelo Coronel (PSD–BA).
Luta – A deputada federal Rose Modesto (PSDB) disse que existe um movimento no Congresso, para propor políticas públicas às mulheres, independente dos partidos. “Quando o assunto é melhorar a vida das mulheres, as deputadas se juntam, por isso precisamos cada vez mais de força política e não admitir retrocesso”.
A senadora Soraya Thronicke (PSL) também comentou que quem “fez mau uso” do fundo eleitoral é quem deve ser punido, não as mulheres de uma forma geral. “Temos inclusive que criar a cota de cadeiras (legislativo) chegando a 50% para as mulheres, de forma dividida com os homens”.
Debate – Para Luciana Azambuja, subsecretária sobre Direitos das Mulheres, disse que apenas a lei de cotas nos partidos é “insuficiente”, mas que é preciso ter mais espaço e até cursos dentro dos partidos voltados para as mulheres, além de fazer as legendas discutirem mais sobre o tema. “Precisam respeitar as mulheres”.
O evento também contou com a presença da deputada federal Beatriz Cavassa (PSDB), das vereadores Cida Amaral (Pros) e Dharleng Campos (PP), além da vice-prefeita Adriane Lopes (Patri), da presidente da Fundação de Cultura, Mara Caseiro, entre outras convidadas.