Quase 40% dos apostadores têm risco de vício, aponta novo levantamento
Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas reúne dados inéditos para orientar políticas públicas
Um novo levantamento divulgado pelo Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) revelou que 38,6% dos apostadores no Brasil apresentam algum grau de risco para vício em jogos de apostas. O dado alarmante se torna ainda mais preocupante entre adolescentes de 14 a 17 anos, grupo em que esse índice sobe para 55,2%.
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Os números fazem parte de um conjunto de pesquisas inéditas disponibilizadas pelo Obid, plataforma criada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para centralizar dados sobre substâncias psicoativas e comportamentos de risco, subsidiando a formulação de políticas públicas. O lançamento oficial ocorreu nesta quarta-feira (26), em Brasília, com a presença do ministro Ricardo Lewandowski.
Além da vulnerabilidade dos adolescentes, o estudo revelou que, no último ano, 10,5% desse grupo jogou algum tipo de aposta, enquanto entre os adultos o índice foi de 18,1%. A região Sul do Brasil lidera o ranking de atividades de apostas, seguida pelo Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.
Outro dado relevante aponta que os sites de apostas on-line já superaram o tradicional jogo do bicho em popularidade, indicando a força da digitalização do setor e a facilidade de acesso às plataformas.
O levantamento também trouxe informações sobre o consumo de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), conhecidos como cigarros eletrônicos ou vapes. Os resultados mostram que esses produtos não cumprem o papel de auxiliar na cessação do tabagismo: 77,6% dos usuários afirmam que o uso não os ajudou a parar de fumar cigarros convencionais.
Os adolescentes novamente se destacam no consumo. Entre as jovens mulheres, 12% já usaram o dispositivo em algum momento da vida. Apesar da maior prevalência entre adolescentes, a idade média de experimentação dos vapes no Brasil é de 24 anos.
Nos últimos 30 dias, 31,8% dos jovens usuários afirmaram ter consumido cigarros eletrônicos, enquanto entre os adultos o percentual foi de 25,2%.
Outro dado divulgado durante o lançamento do Obid diz respeito ao aumento do consumo de analgésicos opioides, benzodiazepínicos (calmantes) e estimulantes no Brasil. O crescimento do uso dessas substâncias foi mais expressivo entre as mulheres.
O ministro Ricardo Lewandowski destacou a importância do observatório para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências. “O Obid se encaixa nessa filosofia de compartilhar dados publicamente com a sociedade para que ela possa se integrar nessa luta e melhorar a situação não somente da segurança, mas também da saúde pública em nosso país”, afirmou.
Os dados apresentados fazem parte do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), coordenado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com financiamento da Secretaria Nacional de Política sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad). O estudo completo será divulgado em junho, durante a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas.
A pesquisa analisou padrões de consumo de substâncias e comportamentos de risco em um grupo de 16 mil pessoas, entre adolescentes (14 a 17 anos) e adultos (a partir de 18 anos). O levantamento também inclui comparações com dados de 2006 e 2012, permitindo um panorama da evolução do consumo de substâncias no Brasil.
A secretária da Senad, Marta Machado, destacou que a ausência de dados estruturados sempre foi um desafio na formulação de políticas públicas. “O Obid vem preencher essa lacuna, reunindo e centralizando estudos e informações sobre drogas do ponto de vista da saúde, dos comportamentos, da justiça e da segurança pública, proporcionando conhecimento atualizado e confiável para gestores, pesquisadores e para toda a sociedade”, afirmou.
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