Carne e só, era o que comiam em B.Vista e P.Porã antigamente
Com exceção da laranja, que era quase nativa, outra fruta qualquer era disputada como preciosidade. Quase tudo era importado de S.Paulo e Campo Grande: arroz, feijão, cebola, farinha, açúcar, polvilho e até milho e alfafa. Os preços eram exorbitantes . A vida era caríssima. Até a lenha, facilmente obtida nas matas, era mais cara na fronteira que em C.Grande e no Rio de Janeiro. Causa pasmo saber que, apesar da imensa quantidade de vacas, cerca de trezentas mil, havia muita falta de leite.
Gado não domesticado.
Os fazendeiros compravam manteiga para o consumo. Eram raros os queijos. Os poucos que apareciam eram sem sal e sem gordura, que além de caros, logo apodreciam. O motivo é que na fronteira eram poucos os que domesticavam o gado. A peonada em geral, não se prestava e nem se submetia a esse trabalho. Muito pelo contrário, quando encontrava algum gado manso, procurava embrabecê-lo. O cavalo domado, só era bom se adquiria muitas manhas.
A laranja impedia a ruína da saúde.
Faltava tudo em toda a região da fronteira. Excetuadas algumas localidades próximas ao que hoje é Maracaju, onde se cultivavam legumes e frutas, e a cidade de Porto Martinho, onde havia abundância de peixe, em P.Porã e em B.Vista, a alimentação era precária e insuficiente. Eram subalimentados. A laranja é que impedia, parcialmente, a ruína da saúde da população. Carne bovina e mandioca ferventada, usando também o milho cozido, denominado “locro”, e a ausência de sal e de farinha, estavam em todas as mesas. Da mandioca, o único derivado que conheciam era a chipa, feita com muita gordura. Nos dias frios, tomavam chimarrão. Nos quentes, o tereré era bebido a cada instante. Diziam que misturar tereré com carne de porco ou com lima era morte certa. Foi assim que a lima, abundante, na região, foi condenada.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.