Teatro de graça é condição do Imaginário Maracangalha
Por R$ 10,00, os atores alugam uma moto equipada com som e assim vão divulgando nos bairros o espetáculo de logo mais. Nada é cobrado, uma condição imposta pelo teatro Imaginário Maracangalha.
Eles fazem arte pública, de graça, para quem quiser. “O público corresponde, sempre vai, assiste e aplaude. Acredito que a população seja subestimada, pois eles querem ver coisas diferentes, e a arte tem o poder de reconhecimento”, avalia o ator Fernando Cruz.
São 20 artistas entre produtores e atores, que você já deve ter visto alguma vez em cortejos pela cidade, em feiras livres, praças ou ruas.
As roupas foram doadas pela escola de samba Igrejinha, outras produzidas com o colorido que fala do Brasil, de Mato Grosso do Sul, e vai pontuando a ocupação artística com música, dança e teatro.
Na cabeça de Fernando, o grupo começou a ser formado na infância, alimentado graças a um espetáculo circense e a estrofe “Eu vou para Maracangalha, eu vou...”, de Dorival Caymmi.
Com sede montada, o espaço parece coisa de família. Um lugar de diversão, criação e formação de gente que vai chegando, encantada com o teatro de rua.
A ideia principal é de arte compartilhada, democratizada,o que significa também dividir com os interessados o que os mais experientes sabem, acabar com qualquer possibilidade de hierarquia e fazer do afeto o comandante nas relações dentro do grupo.
Há curso de teatro, com duração de um ano, e depois, quem decidir, pode continuar incorporado ao trabalho. Assim, o grupo vive já há 6 anos, sempre crescendo
“Nós somos um coletivo, onde todos fazem um pouco de tudo, ajudando a manter o espaço, ajudando com os projetos, com idéias, sugestões”, resume a atriz Camilah Brito, 26 anos.
Mas como ninguém quer morrer de fome, o grupo é mais um em busca de financiamento público. Todos defendem governo e prefeitura como únicas fontes corretas de viabilização de cultura.
Dessa forma, com recursos da Fundação Municipal de Cultura, já montaram “Tekoha - Ritual de vida e morte do Deus Pequeno”, sobre o exemplo da resistência indígena na figura de Marçal de Souza.
Mas mesmo sem recursos liberados, eles não param de encenar, e seguem com cortejos pela cidade e sarobás, reuniões com arte e escambo, onde além da cultura há uma espécie de laboratório de comportamento, que incentiva as pessoas ao desapego, ao deixar para outro o que não lhe tem serventia.
Para conhecer mais, o site do Imaginário Maracangalha tem informações, diário de bordo e também a TV TIM, com imagens de projetos.
O Teatro Imaginário Maracangalha fica na rua, Julio Dittmar, 26A – Bairro São Francisco. Telefones para contato (67) 3356-7682.