Empresário resgata época boa em prateleira com rádios de mais de 70 anos
Um aparelho que completa 74 anos é um dos 32 na prateleira do empresário Marcos Silva. Apesar da velhice, ele não é o de mais história.
O modelo alemão, usado para comunicação durante a 2ª Guerra Mundial nos jipes que serviam ao Exército de Adolf Hitler, é o primeiro lembrado pelo colecionador. “Até hoje funciona, tem frequências da Alemanha”, diz.
Dono de uma empresa de informática, Marcos hoje lida com equipamentos de última geração, mas aprendeu na infância o valor de um rádio ligado. “Era a única fonte de informação na fazenda”.
As férias na propriedade rural da família, quase na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, são lembradas também pelos capítulos das radionovelas.
"Nossa, adorava ouvir as novelas de rádio. A gente viajava, ficava imaginando os cenários”, conta.
Quando as radionovelas terminaram, por volta de 1973, Marcos tinha 7 anos, mas o carinho não terminou. "Era fascinante e assim fui me apaixonando pelos aparelhos".
Hoje ele exibe as relíquias na empresa, em duas prateleiras já na entrada, mas ainda guarda os aparelhos preferidos em casa. “São 3 capelinhas, super difíceis de achar”, conta Marcos.
Muitos ele ganha de pessoas que passam pela loja e descobrem o colecionador, mas Marcos só dá importância aos que têm a estrutura de madeira. Investe na restauração e mantém com substâncias contra cupins.
“Mas alguns estão assim, cheio de pozinho, tenho de cuidar melhor. Colecionar dá muito trabalho”, admite o empresário mostrando o efeito dos insetos nas peças.
A recuperação é feita por profissionais da marchetaria. “Encontrei alguns super profissionais aqui mesmo em Campo Grande. Eles dominam a técnica de trabalhar com pequenos pedaços de madeira. Fica perfeito”.
O modelo nacional mais antigo é um Semp Toshiba, ano 56. Alguns usam bateria, outros pilhas que nem são mais fabricadas e também há o movido a energia, chamados “rabo quente”.
Na arquitetura dos modelos tão antigos, a cor da madeira é a parte mais linda, ao lado das telas de proteção dos auto-falantes, com tramas que parecem rendado. Alguns aparelhos ele ganhou, outros comprou por valores simbólicos. “Muita dessa história é abandonada por aí. Então compro, por 50 ou 100 reais”.
Quando alguém promete, mas não aparece com o rádio, Marcos não descansa até conseguir o modelo. “Não dou trégua, fico perturbando, ligo, até conseguir. Para mim, é como resgatar uma época boa”.