Higa registra covid relembrando das pandemias que um dia já passou
Produzido por Dalila Saldanha, documentário revela o que o fotógrafo de MS viu e clicou justo no ano da covid
Na próxima terça-feira (16), um webdocumentário será lançado contando o que Roberto Higa, fotojornalista de 70 anos, tem a dizer sobre a covid-19. Mais do que falar, revelar: por meio de suas lentes, o que viu e clicou em 1 ano de pandemia nas ruas da Capital.
"O movimento da rua, a coreografia das máscaras, o comércio ora vazio, ora cheio, velório de gente que morreu da doença. Sempre tive a certeza que mais dia menos dia isso passaria. Porém, assim como foram as outras pandemias vividas, pretendo fotografar até o último momento. É como eu sempre fiz: buscando essas novidades. Tudo que passa pela gente de alguma forma nos muda… sempre", afirma.
Para ele, que se autointitula "fotógrafo das inaugurações" – tendo já registrado até mesmo a primeira escada rolante de MS –, novidades que simbolizam impactos globais e mobilizações locais que refletem mudanças.
"Fotografei tudo que veio primeiro: das posses às lojas de departamento, da divisão de MT uno em MS às inaugurações de diversos prédios institucionais que eu já nem me lembro mais. Eu nunca deixei de registrar a cidade – isso sempre fez parte de mim. É o que há de mais real", considera.
E por falar em realidade… "vejo muita coisa engraçada, da hipocrisia de quem é privilegiado e abusa da covid à 'sorte' do morador de rua que que ainda não pegou. Mas também muita coisa triste, muita desunião, desentendimento, vidas perdidas. Assim é a vida, não é? Se já temos muita história para contar agora, imagina depois da covid… vivemos uma pandemia pandemônica", brinca.
O documentário "Retratos da Pandemia em Campo Grande, por Roberto Higa" – que contou com a produção da amiga Dalila Saldanha – se trata de uma abordagem visual pelo olhar aguçado desse que é considerado um dos mais antigos e respeitados repórteres fotográficos de MS, com 53 anos de atividade ininterrupta.
"Mostrei à Dalila o que eu vinha desenvolvendo nesse último ano. Ela gostou muito. Correu atrás de vender essa ideia para alguém e, pela Lei Aldir Blanc, montamos esse projeto que virou o documentário em si", explica o fotógrafo.
"Higa não fez qualquer tipo de interferência para colocar as pessoas em seus focos de enquadramento, nem cedeu à tentação de sair dos limites do profissionalismo de sua máquina para convencer este ou aquele a pôr ou tirar a máscara, a lavar as mãos ou usar luvas. Fez um registro nu e cru e, portanto, ao meu ver, íntegro: de sentimentos, reações, comportamentos. São histórias dentro de histórias que se contam sozinhas logo que o obturador é disparado e faz nascer o milagre da foto", comenta Dalila Saldanha.
O lançamento de "Retratos da Pandemia em Campo Grande, por Roberto Higa" acontece de forma on-line na terça-feira, 16 de março, às 19h. Para acompanhar de perto, basta acessar o site oficial do projeto.
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