Praça recebe nome de estudantes mortos e família ajudará a manter
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Hoje a sessão na Câmara Municipal contou com a presença de uma família que virou símbolo da luta contra o fim da impunidade em Campo Grande. As mães dos estudantes Breno Luigi Silvestrini de Araújo, 18 anos, e Leonardo Batista Fernandes, de 19 anos, mortos em agosto de 2012, estiveram na apresentação do projeto que nomeia uma praça no Carandá Bosque de “Bosque da Paz Breno e Leonardo”.
O convite foi feito pelo presidente da Câmara e autor do projeto, Paulo Siufi. O local que agora está abandonado era um dos espaços públicos e abertos que os universitários costumavam frequentar.
A família vai ajudar na manutenção da praça. Para a mãe de Leonardo, Ângela Iracema Batista Fernandes, a ideia é que o crime não caia no esquecimento. “A população tem que se unir e participar. As pessoas precisam refletir”, completa. O projeto das duas famílias, agora unidas pela dor, pretendem promover concursos culturais, de leitura, poesias e eventos esportivos. Para as mães, esta é uma forma de preencher um dos espaços que antes eram ocupados pelos filhos.
“O problema não é dos outros. É nosso. A violência está aumentando. A intenção não é colocar os dois num pedestal, mas sim usar o que aconteceu para conscientizar que as pessoas precisem lutar”, declarou a mãe de Breno, Lilian Regina Silvestrini Araújo.
Os familiares dos estudantes continuam com a bandeira erguida de que quando a sociedade se mobiliza, como no caso da Ficha Limpa, o resultado existe. “Quando não faz nada o crime cresce”, acrescentou Lilian.
A mobilização dos campo-grandenses foi tamanha que a família não esperava. No próximo sábado, uma nova carreata pela região central da cidade vai pedir novamente pelo fim da impunidade.
A petição levantada pelos pais de Breno e Leonardo já colheu 50 mil assinaturas e eles querem chegar a 100 mil.
“A morte deles não foi à toa. Não foi gratuita”.
Crime - Breno e Leonardo foram sequestrados logo após terem saído do Bar 21, no bairro Chácara Cachoeira, no dia 30 de agosto deste ano. Os criminosos levaram os rapazes para a saída de Sidrolândia. As margens da rodovia, os amigos foram agredidos e mortos. A quadrilha fugiu do local levando a camionete Pajero de propriedade do pai de Leonardo.
Como os estudantes não chegavam em casa, as famílias acionaram a Polícia. As primeiras prisões ocorreram em Corumbá, na fronteira com a Bolívia. Com as declarações dos presos, a Polícia chegou até o local onde estavam os corpos das vítimas. O carro foi recuperado.