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Direto das Ruas

Reclamando de usuários de drogas, moradora pede fechamento de rua

Impasse envolve a Travessa Pimentel, que dá acesso às avenidas Noroeste e Ernesto Geisel

Por Geniffer Valeriano | 17/01/2024 16:15
Travessa Pimentel, localizada no centro de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)
Travessa Pimentel, localizada no centro de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)

Reclamando de transtornos causados por dependentes químicos, moradores pedem o fechamento da Travessa Pimentel, localizada na área central de Campo Grande. A via, que fica atrás da Morada dos Baís, dá acesso à Avenida Noroeste e à Avenida Ernesto Geisel.

Marinalva Pereira contou que mora na região há 20 anos e com o passar do tempo viu o aumento da população de moradores de rua e usuários de entorpecentes. “A situação não muda. A situação é essa, todos os dias é uma frota de gente nova. Tem usuários de drogas, brigas, facas, só não vi arma ainda, mas pedrada até eu fui vítima”, expõe.

Apesar de dizer que equipes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e da PM (Polícia Militar) estão frequentemente na região, a moradora relata que o problema continua sem solução. “Eu tenho até dó da polícia, porque a polícia vem toda hora, não sai daqui, mas quando eles viram as costas eles voltam de novo. Eles não têm medo da polícia”, diz.

Inconformada com a situação da vizinhança, Marinalva chega a dizer que os moradores de rua tem tudo o que precisam naquele quarteirão. “Eles têm comidas por aqui, o pessoal vem e trazem comida. Tem droga. Tem onde furtar, porque tem lojas. Eles não têm por que sair daqui”.

Moradores de rua sentados em banco da Avenida Noroeste (Foto: Marcos Maluf)
Moradores de rua sentados em banco da Avenida Noroeste (Foto: Marcos Maluf)

Tentando minimizar as dores de cabeça, a moradora relata que chegou a solicitar à Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana Campo Grande) o fechamento da Travessa Pimentel, local onde mora. A solicitação foi encaminhada para a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

“Cheguei a pedir para retirar os vagões quando eles ainda estavam na Avenida Noroeste. Fiz o pedido do fechamento da Travessa Pimentel, porque ela não tem importância nenhuma como rua, entre aspas. Porque ela tem apenas cinco casas e só serve de corredor para bandido, porque ela é uma rua pequena, bem estreita, e a polícia não consegue passar por ali. Queremos colocar um portão, para só os moradores entrarem ou autorizados”, explicou.

Para o Campo Grande News, a Agetran informou que “foram iniciadas as tratativas do processo essa semana junto com as demais secretarias, onde serão estudadas e verificadas a melhor forma de resolver o problema”.

Moradores de rua ficam frequentemente na Avenida Noroeste (Foto: Marcos Maluf)
Moradores de rua ficam frequentemente na Avenida Noroeste (Foto: Marcos Maluf)

Enxugando gelo -  Outro morador e comerciante da região, que pediu para não ser identificado, relata que a situação vivida se tornou um problema crônico. Revoltado, dizendo que há uma falta de solução, o comerciante diz que as medidas que são tomadas são como enxugar gelo.

“Agora mesmo, enquanto falo com você, eu estou vendo as pessoas acenderem um cachimbo aqui na minha frente, você acha que é normal? Como eu e as outras pessoas, os comerciantes conseguiremos trabalhar em paz? Como vamos deixar os carros na rua? quem vai querer vir morar aqui? Como a gente muda esse rótulo de que aqui é permitido, de que aqui pode tudo?”, desabafa.

O morador ainda relembra que na Praça Aquidauana, que fica próximo da quadra problemática, havia uma base da GCM que foi desativada. O homem relata acreditar que se a base ainda estivesse funcionando, a situação poderia estar um pouco melhor do que se encontra hoje.

“Eu sinto o cheiro dessa realidade 24 horas. Eu não consigo fazer nada, nada, nada. Aqui tem restaurante, tem lojas, tem tudo perto. Esse problema na área central, no coração de Campo Grande, é muito sério, muito grave”, finaliza.

Moradores de rua reviram o lixo na Rua Barão do Rio Branco (Foto: Marcos Maluf)
Moradores de rua reviram o lixo na Rua Barão do Rio Branco (Foto: Marcos Maluf)

Assistência - Em matérias anteriores, o secretário de Assistência Social, José Mário Antunes, explicou para o Campo Grande News que a única ferramenta da assistência social no acolhimento desta população é o convencimento. Assim, não podendo forçar nenhum morador de rua a ir para o Centro POP ou para alguma clínica de reabilitação.

Quando a pessoa abordada aceita o acolhimento ofertado, nos casos mais graves, ela é encaminhada para o CAPS (Centro de Assistência Psicossocial), onde passa por uma primeira desintoxicação. Posteriormente, elas são encaminhadas para o abrigo ou para uma das unidades terapêuticas conveniadas.

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