Depois de quase 60 anos, presépio é resgatado e restaurado como joia de família
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Não há nada de extraordinário no presépio da dona de casa Eugênia Deunier Brunetto, mas a história merece ser contada. Há 4 anos ela decora a casa em Campo Grande com os mesmos objetos, mas conhece as 19 peças, feitas em gesso, há quase seis décadas. É uma herança de família.
Hoje, aos 71 anos, a senhora ainda lembra de quando, aos 13, conheceu os bonequinhos, trazidos pelos pais, da cidade de Pato Branco, no Paraná (PR). Foi a primeira vez que a casa onde morava, em São Loureço do Oeste, na região rural de Santa Catarina (SC), recebeu um cenário para representar o nascimento de Cristo.
Virou atração. A família toda, incluindo ela e os cinco irmãos, se reuniam para preparar o ambiente. Era assim todos os anos. Eugênia cresceu, casou, mudou-se para Mato Grosso do Sul, mas a tradição continuou.
Entre os Brunettos, o presépio deu uma boa “passeada” e, por isso, com o tempo, se deteriorou, até chegar, novamente, às mãos de dona Eugênia. Um dia, o “resgatou” na chácara de um sobrinho, com a maioria das peças danificadas.
Para usar a decoração antiga e deixar o ambiente apresentável, era preciso arrumar. Valeria mais à pena, claro, comprar um novo, moderno, mas o valor sentimental pesou mais e a dona de casa resolveu gastar R$ 600,00 para restaurar os bonecos.
O trabalho, que demorou pelo menos 2 meses, foi feito por uma artesã de Campo Grande. As formas foram mantidas, mas a pintura ficou só próxima da cor original.
Cinquenta e oito anos depois, o passado, como ocorre há 4 anos, está de volta à sala da família no bairro São Lourenço, aos pés da árvore de Natal. E a presença dele traz boas recordações. “Lembro da adolescência, quando eu ajudava a montar, subia na escadinha e colocava o pinheiro legítimo”, disse.
Fora a simbologia e o significado cristão atribuído ao cenário, o presépio, para dona Eugênia, representa, nas palavras dela, uma grande lembrança da infância, da casa dos pais e da juventude. “É uma joia, uma joia de família”, resume a filha, a jornalista Maristela Brunetto, que acompanhou boa parte dessa história.