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Vaquinha por ‘desconhecido’ é fruto da luta e empatia do pequeno João Miguel

Diagnosticado com meningoencefalite, o menino de Coxim passou um mês no CTI do HU, sendo 20 dias intubado

Cleber Gellio | 20/01/2023 17:38
Vaquinha por ‘desconhecido’ é fruto da luta e empatia do pequeno João Miguel
O pai Rodrigo, pequeno João MIguel, a mãe Kassiana e a irmã Natália (Foto: Arquivo Pessoal )

Quem vê o sorriso no rosto do pequeno João Miguel, de 3 anos e 7 meses, não imagina a luta que ele travou para vencer a meningoencefalite, doença que quase lhe tirou a vida. Para muitos, um milagre. É o que também acreditam os pais, Kassiana da Silva, 40 anos, Rodrigo Rodrigues, 42 anos, e a irmã Natália, de 13.

Há pouco mais de dois meses, os sintomas que iniciaram com uma febre evoluíram para uma inesperada convulsão e transformou a rotina da família, que mora em Coxim, e que às pressas teve de se mobilizar para tratar o menino, no Hospital Universitário (HU), em Campo Grande.

“No dia 18 de novembro ele [João Miguel] começou a ter febre e o levamos para consultar e assim foi por algumas vezes, com diagnóstico sempre de virose. Chegou a ficar internado, mas a febre sempre voltava. Até que certo dia, em casa, convulsionou. O levamos imediatamente à emergência e em seguida a equipe médica chegou a suspeitar de Guillain-Barré, uma doença autoimune, e achou por bem encaminhá-lo para Campo Grande devido à melhor estrutura para tratá-lo”, lembra com aflição Rodrigo.

O casal não pensou duas e embarcou com o filho para a Capital. No HU, os médicos suspeitavam de meningite, além de intoxicação devido ao uso excessivo de medicamento. Não demorou muito e a causa já era conhecida: meningoencefalite, uma doença grave que pode atingir o cérebro e ser fatal. Em muitos casos, deixa sequelas.

Com o diagnóstico confirmado, após quatro dias de internação, eles recebem a notícia mais dura até então. “Ele entrou no dia 25 e no dia 29 eles [médicos] disseram que ele [João] precisaria ser intubado. Jamais imaginamos que passaríamos por isso. Naquele momento começaria nossa batalha com muita oração, era o que poderíamos fazer no momento, como indicavam os médicos. E assim fizemos, pois temos muita fé”, comentou o pai.

Vaquinha por ‘desconhecido’ é fruto da luta e empatia do pequeno João Miguel
Rodrigo com João Miguel após o filho receber alta hospitalar (Foto: Arquivo Pessoal)

Com voz embargada, Rodrigo lembra da fase mais dura para os familiares na recuperação do filho e já sabiam que se ele saísse daquela situação teria sequelas, conforme esclareceram as médicas neuropediatras. “A gente só esperava um milagre mesmo, pois fomos buscar informações sobre a doença e víamos que muito pacientes não resistiam e quando superavam, as sequelas eram severas”.

Mas mesmo assim não perderam as esperanças e durante os 30 dias em que João Miguel precisou ficar no CTI (Centro de Tratamento e Terapia Intensiva), sendo 20 deles intubado, os pais buscaram força de onde nem sabiam. “Se a gente falar que não chorou é mentira, era madruga sim e outra também”, lembra Rodrigo.

Mas o que jamais eles esquecerão é do dia 18 dezembro, em que foram chamados pelo corpo médico para receberem a notícia de que filho havia sido extubado. “Foi uma sensação de alívio, mas ainda assim expirava cuidados e preocupações, pois a gente não sabia o que ele teria de sequelas”, pontou.

E assim como o próprio Rodrigo diz, seguiram firmes, dia após dia. Até que no dia 13 de janeiro João Miguel ganhou alta para a alegria de todos, os que o acompanhavam, tratavam, os que oravam a distância e até ‘desconhecidos’ que souberam do caso.

“Quando ele recebeu alta, muito gente se emocionou e foi uma alegria que contagiou a todos. Recebemos apoio de muita gente que nem conseguimos agradecer por tanto carinho, como amigos, familiares, nossos irmãos em Cristo, tanto católicos, quanto de outras denominações, além de ações que chegam de quem a gente menos imagina, até pessoas distantes que não fazem parte do nosso convívio”, retribuiu Rodrigues.

Vaquinha por ‘desconhecido’ é fruto da luta e empatia do pequeno João Miguel
Kassiana com o filho depois de recupeção de 30 dias no CTI (Foto: Arquivo Pessoal)

O apoio - Uma dessas pessoas citadas por Rodrigo é o comerciante Vinícius Currales, morador de São Gabriel D’Oeste, a 117 km quilômetros de Coxim, que se propôs a ajudar João Miguel. Ele idealizou a campanha Todos pelo João Miguel em uma plataforma on-line para auxiliar nas despesas para a recuperação do menino. “Para ajudar nos custos do tratamento do nosso amiguinho... ficou mais ou menos 45 dias internado e agora continua o tratamento em casa”, diz trecho do texto postado na página da vaquinha, iniciada no dia 16 (janeiro) e que arrecadou até o momento pouco mais de R$ 9,3 mil.

Conforme Rodrigo, o filho agora está em fase de reabilitação e a recuperação das sequelas que atingiram a coordenação motora e fala depende de tratamentos específicos e profissionais especializados. Para isso, é necessário acompanhamento de uma equipe multidisciplinar como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, além de neurologistas, o que chega a custar R$280 a hora. “Ele perdeu muito peso e massa muscular, porém o cognitivo foi preservado. Já a parte motora, da fala e digestiva, por exemplo, dependem de acompanhamento constantes. Ainda é cedo para avaliar, mas ele [filho] tem evoluído muito bem. Temos plano de saúde, mas para este tipo de situação cobre apenas 50% do tratamento”.

Rodrigues acrescenta ainda outras despesas, como medicamentos, sandália ortopédica, fraldas, bandagem, prótese, sapato específico, além de exames e consultas. Sobre a ajuda vinda de uma pessoa distante, ele é categórico. “Já havíamos cogitado em desfazer do que temos como vender carro, por exemplo, mas muitas pessoas têm nos auxiliado, tanto com apoio financeiro, quanto com orientação como a Mirela e o Izaías, um casal que também passou pela mesma situação com o filho e tem sido essencial. Agora não é momento para vaidades, ainda mais se tratando da saúde do nosso filho. Agradeço a Deus todos os dias pela vida dele e a todos que de alguma forma contribuíram”, finaliza.

Para contribuir basta clicar no link da vaquinha


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